sábado, 12 de dezembro de 2009

Natal


Certa vez ouvi um comentário de uma moça que dizia não ver sentido em termos um feriado dedicado apenas em homenagem a Papai Noel e à troca de presentes. Com tal declaração eu pude perceber que a falta de informação atualmente é ainda maior do que eu poderia supor.

Atualmente existem até mesmo aqueles que buscam explicações e justificativas, históricas, bíblicas e sagradas para a figura de Papai Noel, quando na verdade não passava originalmente de mera jogada de marketing, para que o comércio não tivesse uma queda das vendas nesta época do ano.

Outros ainda buscam cálculos mais exatos e precisos para questionar que o dia 25 de Dezembro tivesse sido mesmo a data de nascimento de Jesus Cristo. E com isso constatamos uma distorção no entendimento do que de fato representa esta data.

Os relatos encontrados nos evangelhos sobre Jesus Cristo não trazem um relato histórico, e sim, principalmente um conjunto de estórias criadas para transmitir determinados ensinamentos de maneira que fosse de fácil assimilação por parte da população da época e da região. Essas estórias sobrepunham figuras simbólicas comparando-as com figuras públicas conhecidas da época, relacionando os fatos ocorridos naquele período histórico com estórias criadas para levar adiante a mensagem que buscavam popularizar.

A começar pela própria figura de Jesus Cristo, especialmente se considerarmos que o termo Cristo é uma adaptação da palavra Krestus, de origem Grega, que se tratava de um título que foi atribuído a Jesus por ele ter alcançado um determinado nível de desenvolvimento espiritual. Tal palavra tem um sentido de "Deus Solar".

Assim também é preciso rever certos aspectos da vida daquele povo e daquela sociedade. Hoje em dia nós temos como exemplo a Maçonaria, cujos seus membros são chamados de Maçons, palavra essa de origem Francesa que tem o sentido de "Pedreiro", que no contexto ritualístico também é entendido como "Livre Construtor". A partir disto não fica difícil entender a nomenclatura utilizada pelo antigo Colégio dos Essênios, sendo uma Ordem Ocultista à qual José de Arimatéia pertencia. Sendo que os antigos membros dos Essênios eram chamados de "Carpinteiros", termo esse de significado análogo ao de "Maçom".

Outro elemento importante a ser levado em conta é que Jesus é um pseudônimo, sendo que o termo original "Yeoshua" tinha como significado "Salvador", sendo esta uma referência simbólica utilizada justamente para transmitir o ensinamento que se pretendia passar.

Tais informações poderiam trazer estranheza para os mais ortodoxos, como se eu estivesse dizendo que Jesus Cristo não existiu. Na verdade estou buscando deixar claro que a figura caricata que se forjou dele em cima de uma leitura materialista do texto dos Evangelhos nada tem a ver com os significados mais profundos que observamos no estudo do Cristianismo Esotérico.
 
 
Os Evangelhos tratam de ensinamentos deixados por um Grande Mestre que se destacou dentre os "Carpinteiros" do Colegiado dos Essênios, e que alcançou de forma tão completa este nível de desenvolvimento espiritual que passou ele mesmo a expressar parte deste processo interno em sua vida exterior. A tal ponto de ele próprio assumir o pseudônimo de "Salvador" como passou a ficar conhecido entre os seus discípulos, que também lhe atribuíram o título de "Deus Solar".

O Simbolismo representado pelo termo "Salvador" corresponde a um processo interior, consciencial de cada ser humano, corresponde ao que no Oriente chamam de "Kundalini". E é este processo de transformações internas do Ser que os textos se referem, e não a relatos históricos, a pesar de serem usados alguns elementos da história local como um meio de exemplificar estes processos.

A figura Solar que foi associada a este Mestre se refere a um resultado do desenvolvimento do "Salvador" dentro de cada ser humano, que marca um estágio importante do desenvolvimento espiritual, isto é representado pela entrada de Jesus em Jerusalém. Que por sua vez corresponde ao que na tradição "Vedanta" é entendido pela subida de Kundalini até o Chakra Cardíaco. Também é visto através do simbolismo do Desabrochar da "Rosa Mística". Estas são maneiras de simbolizar o despertar de uma "Consciência Espiritual" no indivíduo.

Este processo já conhecido a muitos milênios e já foi explicado com o uso de diversas simbologias em cada povo, cultura e época diferentes. Em função de se tratar de um mesmo assunto sendo explicado, todas essas estórias simbólicas terão elementos muito semelhantes, como vemos por exemplo nas figuras de Odin, Krishna, Quetsacoalt, Zoroastro, Hermes Trismegisto, King Artur e Gautama Buda.

Em função de uma leitura literal e materialista dos textos sagrados dos povos antigos, hoje em dia encontramos discussões e polêmicas, sobre essas estórias serem plágios umas das outras, quando na verdade são apenas descrições diferentes sobre uma mesma realidade, ou seja, quando várias pessoas descrevem uma mesma coisa, mesmo que com termos diferentes, ainda assim as descrições serão parecidas.

Algumas dessas tradições antigas traziam explicações mais literais do processo, enquanto outras se valiam de estórias simbólicas aos quais se dava "nomes" aos personagens. No caso dos Evangelhos, os textos buscavam transmitir mensagens indicativas para a interpretação, através dos "nomes" dados às figuras da estória.

Ao dizermos que Jesus nasceu de Maria, temos que levar em conta que Jesus significa o Salvador, (que é um princípio humano que temos em cada um de nós, que nos leva e nos inspira a buscar pelo desenvolvimento espiritual, através da "elevação" da consciência) e que Maria significa "Pureza".

Ou seja, neste caso a afirmação de que Jesus é filho de Maria deverá ser entendido que, este despertar espiritual é alcançado por nós através da Pureza de nossos pensamentos e sentimentos. O momento em que "Nasce Jesus" não é o nascimento de um indivíduo em nosso mundo e sim um despertar interior em alguém que buscava o desenvolvimento espiritual. Neste caso, o indivíduo poderia ter qualquer idade quando alcançou este nível, e nem se pode dizer que esta conquista teria ocorrido em uma ocasião específica.


Assim, a festividade do Natal surgiu entre os Cristãos, como uma adaptação de uma festividade Egípcia que ocorria nesta data, como outras tradições ao redor do mundo adotaram esta data para este tipo de festividade, na qual encontramos o simbolismo de um despertar contínuo da consciência interior de cada um de nós.

Sendo assim, o Natal é uma data criada em homenagem ao "Nascimento de Jesus" em cada um de nós. Trata-se de uma força vívida que nos impulsiona à evolução, que conquistamos através da pureza, que neste caso não tem uma conotação moralista, mas sim, pura e tão somente o domínio do Ser sobre seus impulsos naturais, sendo que assim perseverando acabará despertando dentro de si esta "Chama".

Os Cristãos originais, os antigos Essênios, haviam adotado esta data como uma forma de relembrarem a cada ano os ensinamentos daquele seu Grande Mestre ao qual chamavam de Jesus. Para terem suas forças renovadas, para seguirem firmemente em busca desta contínua superação de si mesmos.

Esta nunca foi uma data de euforia, nem extravasar suas ansiedades e frustrações, nunca foi o objetivo desta data que houvesse troca de presentes, banquetes, nem mesmo que as pessoas se embebedassem. Mas hoje em dia as aberrações são tantas que já vemos pessoas soltando fogos de artifício em comemoração ao Natal.

A proposta desta data é um convite à reflexão, à reavaliação de seus esforços em busca do aperfeiçoamento no caminho da espiritualidade, para que assim, possamos recobrar nossas energias, incentivados por todos aqueles já passaram por este processo e os que estão passando assim como nós, por esta jornada em busca deste despertar.

Esta reflexão não há de ser punitiva, nem uma forma de censura, ou severidade, e sim como uma criança que alegremente retoma o fôlego ao lado dos pais para depois voltar a correr e brincar. O caminho de desenvolvimento espiritual é duro, estreito e difícil, mas deverá ser trilhado sempre com alegria, como recomendou este antigo Mestre, aos nos dizer que deveríamos ser como as crianças.

Assim também simbolizam o Salvador que há em nós como uma pequena criança recém nascida nos braços da Pureza, em meio à simplicidade simbolizada pelo estábulo em nossos Presépios. Assim nasce em nós a esperança e a certeza de estarmos sendo bem sucedidos em nossa busca espiritual.

Fica aqui um convite à reflexão, para revermos os nossos conceitos sobre as tradições antigas, vendo que aquilo que hoje está sendo visto como Cristianismo é bem diferente da sua proposta original como já abordamos em nosso texto sobre o Anti-Cristo.




Desejo a todos um Natal feliz, de serenidade, interiorização e reflexão.

 

Assista a Vídeo com tema relacionado:



sábado, 17 de outubro de 2009

Anti-Cristo

 
Muito se fala sobre o Cristianismo e se encontra nos meios Ocultistas frequentemente pessoas que assumem uma postura contrária ao Cristianismo. Muitas vezes esta postura é argumentada por questionamentos fundamentados naquilo que consideram serem contradições existentes entre o Velho e o Novo Testamentos da Bíblia.

A questão é que tais contradições são tão inevitáveis como seriam na comparação de quaisquer outras duas obras distintas. Vemos questionamentos ao que chamam de filosofia “Judaico-Cristã”, considerando que esta seria a base da Civilização Ocidental, e por tanto a responsável por um possível “fracasso moral” dos povos Ocidentais.

Tais questionamentos são contraditórios por si só. Muito embora, ao afirmar isto, prontamente eu estaria sendo classificado como estando favorável ou contrário a alguma linha de pensamento. No entanto, o que tento esclarecer é que tais pólos não existem da maneira como são descritos.

Não há um entendimento claro o suficiente, e neutro o suficiente, sobre o que verdadeiramente poderia ser chamado de Cristianismo, para que se possa definir o que é Anti-Cristianismo.

Primeiramente é preciso que desmistifiquemos o conceito de “Judaico-Cristão”, pois é bastante freqüente que se vincule o Cristianismo ao Judaísmo, sendo que consistem em Filosofias e conjuntos de conhecimentos absolutamente distintos.

Tal vínculo nunca fez parte do Cristianismo em sua origem, mesmo porque este foi um movimento condenado pelo Judaísmo, que era o direcionamento Filosófico norteador vigente na época e no local do surgimento desta nova escola filosófica que foi o Cristianismo.

Mas, não podemos afirmar que não tenha havido a criação de uma Doutrina Religiosa híbrida que mesclava e inter-relacionava ambas as filosofias, e isto foi feito por motivos de ordem prática e política.

O Império Romano estava longe de ser um governo laico como certos pesquisadores tentam dar a entender, tratava-se de um sistema civilizatório que tinha por base cultural sua própria religiosidade, que sempre sofreu modificações ao longo do tempo, sendo uma adaptação da religiosidade Grega.

Com a perda do poder Imperial sobre o Oriente Médio, e por constantes movimentos populares de indivíduos seguidores de uma filosofia Cristã, como uma estratégia política de se manter no poder, a teocracia romana adotou uma postura filosófica, a princípio apenas oficialmente e não de fato, como sendo eles perpetuadores da filosofia Cristã. Para sedimentar este processo, começaram a buscar elementos filosóficos para a composição de um corpo doutrinário para esta nova filosofia (O Cristianismo), que até então não possuía uma doutrina de ritos própria por ser em essência libertária.
 
 
A maneira através da qual este conjunto de regras doutrinárias se formou, foi primeiramente com a criação de um “Livro Sagrado” e então a Igreja Romana, compilando antigos textos previamente selecionados segundo seus interesses que tratassem sobre o Cristianismo, os uniu à Torá (Livro Sagrado do Judaísmo) e assim criou um livro ao qual chamou de “Bíblia”, que pelo próprio nome já temos o significado de “Conjunto de Livros”, que mostra claramente o que ela verdadeiramente é.

Assim a Igreja Romana criou uma doutrina mista com base nas suas tradições Gregas, em elementos de ritualística e paramentos que se formaram a partir de uma reedição de antigas tradições Babilônicas, incluíram uma parcela incompleta do conhecimento Judaico e adotaram como figura de fachada o Cristianismo.

Mesmo que aquilo do que tal organização tenha se apropriado em matéria de Cristianismo fosse incompleto, parcial e manipulado para que pudesse ser adaptado ao corpo doutrinário Romano. A partir disto eles passaram a se auto-intitular Igreja Católica Apostólica Romana.

Vemos claramente que não se pode dizer que uma torta “com morangos” possa ser considerada uma torta “de morangos”. Assim também, aquilo que ficou conhecido como sendo Cristianismo, na verdade é apenas uma instituição que adotou alguns conceitos do Cristianismo e ainda assim os distorceu mesclando elementos com os quais esta filosofia não possuía nenhuma relação direta.

Depois do surgimento da Igreja Católica Apostólica Romana, esta passou por várias sub-divisões e assim se deu o surgimento de outras Igrejas que passaram a se auto-intitularem Cristãs. No entanto, estas vieram a perpetuar aquilo que foi a base da estrutura da Igreja Romana (A Bíblia).

Sendo que a Bíblia, ou mais literalmente “Conjunto de Livros”, não é um “Livro Cristão”, e sim, um “Conjunto de Livros” em sua maioria Judaicos e alguns textos com conteúdo Cristão. Perpetuam a distorção original de unir duas Filosofias que em sua origem eram até mesmo antagônicas em suas abordagens.

Se aqueles que se apresentam como “defensores” do Cristianismo, são capazes de deturpar esta Filosofia desta forma, seria até dispensável que houvesse quem lhe fizesse oposição. Assim, vemos pessoas se opondo à “Cultura Judaico-Cristã”, mesmo que a possibilidade da existência de uma “Cultura Judaico-Cristã” já consistiria em uma aberração para ambas as Filosofias. Então se opor a isto seria assumir uma postura em favor destas Filosofias em sua essência mais pura.

O fato de encontrarmos elementos em comum entre as duas Filosofias, não caracteriza de modo algum filiação ou plágio como gostam de considerar os céticos, pois povos diferentes, em épocas diferentes, sem terem contato entre si, produziram Filosofias portadoras destes mesmos elementos comuns. Justamente por serem Filosofias voltadas ao entendimento da Natureza Espiritual do Ser Humano.

Ou seja, se temos várias pessoas descrevendo uma mesma coisa, é absolutamente natural que todas as descrições se pareçam, não significando que a descrição de um tenha influído na descrição dada por outro.
 

Neste caso, podemos considerar que quem se diz Anti-Cristão, na verdade deveria se dizer contrário à doutrina criada pela Igreja Católica Apostólica Romana. Pois não podemos dizer que não gostamos de “Torta DE Morangos”, quando na verdade só experimentamos uma “Torta COM Morangos”, e ainda assim, nem mesmo os “Morangos” que foram colocados nesta “Torta” são “Morangos” verdadeiros, ou de boa qualidade, pois o preparo da Torta os deteriorou.

Poderão dizer alguns, que não concordam com a atitude assumida perante a vida, por parte dos “Cristãos”, quando na verdade não estão concordando com a atitude dos seguidores da Instituição Romana e seguidores das Instituições que perpetuaram esta “Mistura Filosófica”, que passaram a se auto-intitular “Cristãos”.

Infelizmente, não vemos, senão em pequenos grupos restritos, o estudo e o desenvolvimento da Filosofia Cristã em si. Só vemos estas Instituições que fazem lembrar refrescos químicos nos quais lemos: “Refrigerante Artificial com Aroma Imitação Laranja”. Quem disser não gostar de Laranja tendo apenas experimentado este refresco químico estará afirmando algo absolutamente infundado, pois “Não há laranja ali”.

Então perguntariam: Onde encontramos o Anti-Cristianismo? Encontraríamos justamente nestas instituições, que ao promoverem tais “Misturas” estariam sendo não apenas Anti-Cristãs, como também Anti-Judaicas.

Isto se não levarmos em conta as distorções quanto às bases destas duas Filosofias, que podem muito bem ser comparadas e com isso extrairmos uma riqueza extraordinária de conhecimento, mas não se terá o mesmo resultado se as misturarmos. Podemos comparar o quanto gostamos de carne grelhada e do quanto gostamos de sorvetes, mas nem por isso um sorvete de carne grelhada nos agradaria, e nenhum dos dois estaria bem preparado nestas condições.

Se não sabemos definir o que é verdadeiramente o Cristianismo, também não saberemos como definir o que representa o Cristo para o Cristianismo, assim igualmente se torna impossível, ou no mínimo, leviano, afirmar que sejamos Anti-Cristãos, ou ainda, como poderíamos falar sobre o que viria a ser Anti-Cristo?

Não há dúvidas de que este tema não é tão simples quanto se costuma considerar, e este é um assunto extenso que mereceria ser analisado com mais profundidade.
 


 

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A Estrela de Belém


Os textos bíblicos nos trazem uma linguagem carregada de simbolismos através de suas estórias e narrativas, sendo uma abordagem raramente descritiva, mas muito especialmente explicativa.

Para bem entender os textos bíblicos é preciso que tenhamos em mente o objetivo de tais narrativas, que a princípio não visam descrever eventos históricos, mas sim, se vale de eventos históricos e de tradições populares para criar estórias que nos levem a compreensão de determinadas realidades abstratas que de outra maneira não teriam como serem descritas.

Certos trechos nos trazem questões que costumam serem interpretadas de maneiras muito diferentes de acordo com o ponto de vista com o qual lemos a narrativa, como no que diz respeito à menção da figura da “Estrela de Belém”.

Decidi tratar do tema ao ver um texto de um amigo em seu blog:


Neste texto ele traz uma abordagem mais científica, como normalmente vemos a referência à Estrela de Belém ser tratada como uma referência a um evento físico e astronômico ou como sugerido neste caso, astronáutico.

No entanto, existem referências alheias ao conteúdo do texto bíblico em si, que nos permitem atribuir uma interpretação mais voltada para o tipo de entendimento encontrado na cultura da época.

Os Evangelistas, autores das narrativas do Novo Testamento, eram indivíduos estudiosos, versados no que havia de mais avançado em termos de filosofia, com base na Cultura da época e daquele povo.

Embora o que estivesse sendo apresentado, a filosofia do pensamento do Cristianismo, fosse algo novo, a maneira de explicá-lo acabaria exigindo comparações pensamentos já conhecidos na época.

Neste caso, observamos que as referências existentes na época eram as tradições seguidas pela escola filosófica que deu origem ao Cristianismo que era o “Colegiado dos Essênios”, sendo que este tinha por base conhecimentos vindos da Cultura Egípcia, que igualmente foi transcrita para o povo Judeu por Moisés.

Naquela região do mundo, certos conhecimentos de Culturas diferentes interagiam de maneira complementar, como víamos o Tarô Egípcio, a Astrologia dos Caldeus e a Cabala Judaica.

Com base nestes princípios encontramos referências que nos permitem uma compreensão bastante diferente do episódio dos “Três Reis Magos e da Estrela de Belém”.
 

No Tarô Egípcio que consistia originalmente, não em um jogo de oráculo, mas sim um livro Simbólico Iniciático, contam 4 elementos marcantes que são os chamados “Senhores” dos 4 instrumentos Mágicos. Cada um deles também era chamado de “Rei”, tendo igualmente um paralelo com um dos “4 Guardiões dos Céus”, da Astrologia Caldaica primitiva, ou seja, 4 Estrelas.
 
Ao estabelecer o paralelo entre estas 4 figuras e a Cabala Judaica, encontraremos uma relação entre tais figuras e a Anatomia Oculta do Ser Humano.

Podendo reconhecer assim uma referência muito clara a esta simbologia se levarmos em consideração que um dos significados Ocultos originais do termo “Belém” é “Aqueles que estão ao lado de Deus”. Encontramos assim uma referência aos Sephirot superiores da região da cabeça.

Assim também se compararmos aos presentes levados pelos Reis Magos em comparação com os instrumentos Mágicos dos Senhores do Tarô, Incenso, Mirra e Ouro, correspondendo a Cetro, Taça e Selo Mágicos, sendo que o Quarto elemento, a “Estrela de Belém” corresponderia ao “Senhor da Espada”, a “Estrela Real de Aquário”, Fomalhaut (A boca do peixe).

Tal Marca relacionado à figura de Jesus Cristo pode ser observada em outras passagens como o uso do Peixe como símbolo, ou como em referências ao simbolismo da Espada em Mateus 10:34:

"Não Julgueis que vim trazer paz a terra. Vim trazer não a paz, mas a espada."
 
Tais definições comparativas nos trazem a compreensão de um rico sistema de simbolismos que nos remetem a interpretar os significados relativos à própria Natureza Humana encontrados nas Narrativas Bíblicas. Pois veremos que cada personagem corresponde a um aspecto do ser humano.

No entanto, havia realmente um hábito do povo Judeu na época de estabelecer em suas narrativas filosóficas paralelos com eventos e personagens históricos.

Sendo assim, no que diz respeito ao conteúdo do Novo Testamento, encontramos algumas questões muito específicas, pois encontramos referências à ação de personagens históricos que não correspondem mais à condição Humana, por se tratar de seres conhecidos como "Mestres Espirituais".

Tais Seres podem interagir com os humanos, mas quando o fazem, preservam certas características, tais como o “anonimato”, ou seja, são identificados com determinados elementos simbólicos, assim como aspectos do Ser Humano, de modo que se possa entender qual é sua relação com os seres humanos.

Assim, vemos que o reconhecimento de a que seres o texto se refere através da associação e identificação existente entre estes seres e os símbolos usados para representá-los.


Os “Três Reis Magos”, eram descritos como indivíduos “seguidores” da “Estrela de Belém”. Neste sentido podemos observar uma referência indivíduos que sejam “representantes” deste quarto elemento, que lhes serve de referencial.

Estes indivíduos seriam Seres Supra-Humanos e eles próprios teriam nesta “Estrela de Belém” alguém a ser seguido.

Podemos observar que na estrutura da “Grande Loja Branca”, ou da “Grande Hierarquia Espiritual”, encontraremos Seres dos mais diversos Níveis, sendo Humanos, “Mestres de Sabedoria”, seres angelicais e reconhecemos a existência uma distinta categoria de Seres, que se caracterizam por constituírem um 6º Reino.

Tais seres correspondem a um nível de desenvolvimento tão superior ao dos “Mestres de Sabedoria”, quanto estes o são dos Humanos. Estes são seres aos quais poderíamos nos referir como sendo “Mestres dos Mestres”, “Reis dos Reis” e o que vemos descritos nos textos do Novo Testamento são referências a esta classe de criaturas, em especial a um caso específico de um Ser ao qual foi atribuído o Pseudônimo de “Ieoshua” (Jesus), que significa Salvador, consistindo em uma referência a um aspecto na Natureza Oculta do Ser Humano.

E neste caso específico vemos então uma referência a apenas mais um Ser de igual estatura, um Ser que recebeu o Pseudônimo de “Estrela de Belém”, que também já havia sido conhecido em diversas outras Culturas ao redor do mundo na Antiguidade como “A Estrela do Oriente”.

Os Seres deste 6º Reino também são conhecidos como “Mentores Espirituais”, sendo que estes possuem papéis significativos para a Manifestação da “Hierarquia Espiritual”, tendo funções diretivas, sendo suas ações seguidas pelos “Mestres de Sabedoria” e por sua vez pelos Humanos envolvidos na Teurgia.

Existem Sub-Divisões na “Hierarquia Espiritual”, sendo que uma das mais significativas é conhecida como “Ordem da Estrela”, sendo justamente “Chefiada” por este Ser conhecido como “A Estrela do Oriente”, sendo que esta possui seus “representantes”, sejam eles “Mestres” como no caso dos “Reis Magos”, ou mesmo Humanos, como foi conhecido modernamente o famoso Místico Indiano Jiddu Krishnamurti, assim como diversos outros indivíduos anônimos, encarnados e desencarnados, isoladamente ou em grupos constituídos, que realizam atividades, que de forma consciente ou inconsciente são “dirigidas” pela “Ordem da Estrela”.
 


 

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A Mente e a Existência


Quando se diz que o Todo é Mental, que tudo é Mente, temos aí uma afirmação relativa, que requer maiores especificações para uma melhor compreensão.

De certa forma tudo o que conhecemos em nosso Universo Manifestado está de fato inserido em uma realidade mais abrangente de Natureza mais sutil, cujo contato que temos é através justamente do que entendemos como sendo a mentalidade, certamente é correto afirmar que esta seria uma realidade Mental um Universo, ou um Todo Mental, do qual as demais realidades Manifestadas fazem parte.

No entanto, tal realidade Mental está igualmente inserida em uma realidade de maior alcance, a qual poderíamos atribuir as qualidades tidas como Espirituais, sendo que a Mente consiste em uma parcela desta realidade mais abrangente.

É estranho afirmar que possa, cada uma dessas realidades, ser mais ou menos abrangente sendo cada uma delas por si só infinitas. Entretanto, estas se diferenciam por características próprias de diversidade dimensional, sendo que estas se tornam tanto mais complexas quanto mais sutis.

O que caracteriza a realidade mental mais imediata é a existência de núcleos conscienciais, sendo estes entendidos como seres. Cada qual é infinito em si mesmo, constituindo um Universo próprio.

Estes Núcleos conscienciais podem se diferenciar pela presença ou não de um ente Consciente, ou seja, temos um nicho mental que pode ser preenchido direta ou indiretamente por entes conscientes.

A pluralidade dos mundos é potencialmente infinita, se considerarmos todas as variáveis.

No entanto existem certos padrões de similaridade que fazem com que diversas realidades façam parte de uma única realidade maior e estas realidades maiores são aquilo que conhecemos como Universos e se dividem por suas distinções dimensionais tendo-se basicamente 7 Universos Distintos.

Todos eles sobrepostos e inter-relacionados de tal forma que constituem um conjunto único de amplitude inconcebível, que alcança todos os níveis possíveis de existência, podendo ser este conjunto definido como a própria existência em si.

Por não haver nenhuma distinção substancial entre os núcleos conscienciais, estes que em última análise de definem como Seres, sendo capazes de se auto-intitularem “EU”, acabam por constituir uma única massa existencial que se distinguem não em si mesmos, mas pelo isolamento criado pelas estruturas mentais.

Poderíamos considerar que tal conjunto consiste em um único Ser, uma única consciência, que pode ser observada como elementos isolados em função das Formas Mentais que as distinguem, sendo que estas formas são constituídas em uma realidade Temporal.
 

Neste caso, podemos dizer se tratar de um único Ser encontrado em “momentos” diferentes.

Da mesma forma que as Consciências constituem um corpo único, assim também podemos observar a mesma situação quanto às personalidades, por estas serem diferenciadas por uma relativa proporção de elementos indistintos.

Podemos comparar aos ingredientes de um determinado produto, sendo que eles serão os mesmos em cada unidade, mesmo que circunstancialmente separados.

Podemos observar a unidade das consciências, tal como dos elementos que compõem a personalidade, através de sua relação com a substância da qual se constituem, sendo que se desconsiderarmos as Formas, teremos uma única substância a compor todas estas realidades, sendo esta substância justamente aquilo que consideramos como “Nada”, “Vazio”, “Não Existência”.

Embora possamos observar distinções entre o “Vazio” de cada Universo Manifestado, pois também as relações temporais e conscienciais criam “Formas” mesmo que difusas e não localizáveis espacialmente.

Assim, mesmo o Universo Mental, que nos pareceria plenamente inteligível, acaba se mostrando como uma realidade bem menos específica e mensurável do que seria de se esperar, formando um corpo único, particionado pelo tempo.

A relação entre a Mente e a Consciência é semelhante à chama de uma vela, sendo que ao apagarmos a chama e a reacendermos a vela, teremos uma chama nova que será absolutamente a mesma, mas com certeza, embora seja idêntica em Forma, não é a mesma a nível existencial e temporal, sendo que uma vez apagada ela deixa de existir definitivamente.

Podemos definir comparativamente a Mente como sendo o Ar, e Personalidade como sendo a Água, temos então uma bolha de ar dentro d’água, e isto consistiriam em um Indivíduo.

Neste caso, a água (Personalidade) é uma só, sendo que ela só é particular ao considerarmos apenas a porção de água que se encontra em volta de determinada bolha de Ar. Criando assim uma membrana, que diferencia a bolha do que está ao seu redor, mesmo que a água que forme a membrana seja a mesma que está em volta.

Assim também a Mente (Ar) que se encontra dentro da bolha é o mesmo que está fora da água e é o mesmo que está dentro das outras Bolhas.

Seguindo este exemplo, podemos considerar que a Consciência consista em um calor residual que se encontre no Ar do interior de determinada Bolha, sendo que este se considera tão absolutamente integrado ao Ar (Mente) que passa achar que a Bolha seja ele próprio, se auto-intitulando “EU”, sendo assim uma individualidade.


O calor do Ar que está em uma bolha específica é único, não sendo o mesmo que se encontre em qualquer outra bolha, muito embora não seja possível distingui-lo, sendo que ele só existe em função de seu isolamento.

A distinção entre realidades usualmente ocorre quando encontramos substâncias de Naturezas distintas. No entanto, em última análise a substância de tudo que existe é única, podendo ser definida como “Nada”, ou seja, a Existência, ou ainda, a Substância da qual tudo é feito, consiste em “Nada”.


Tal condição pode ser observada ao levarmos em conta a constituição da Matéria, sendo que tudo é formado por Átomos e estes por sua vez são formados por partículas que só existem em função de sua constante vibração, sendo que ao deixarem de vibrar deixam de existir. Se observarmos atentamente vamos nos dar conta do seguinte questionamento: O que está sendo vibrado? A resposta pode parecer absurda, mas não há outra: Nada!

A questão é que seja lá o que for este “Nada” é disto que a existência é feita. Neste caso a possibilidade de uma “Não Existência” consistiria na possibilidade de diferentes tipos de “Nada”, sendo que um “Existe” e outro “Não Existe”.

A questão pode nos levar mais uma conclusão, pois sendo que a Existência em si é relativa, pois só podemos considerar que algo existe se comparado com algo que não exista. Não há Existência sem a Não-Existência.

Voltando a analisar a Existência dos Seres podemos observar que um Ser se entende como Existindo, como no exemplo da bolha de ar dentro d’água, em função do contraste criado pelas formas. No entanto, o Ser em si não é nem tão pouco a Forma nem mesmo está restrito a uma Substância específica.

Assim, os seres existem por si só, sendo a qualidade de Ser um atributo da existência em si. Podemos considera que tudo que exista é um Ser, mesmo que não seja consciente disto.

A condição do Ser, como no exemplo da bolha de ar, se considerarmos que o Ser em si é a Consciência, ou seja, o que no exemplo foi colocado como sendo um calor residual que permeia o ar no interior da Bolha, podemos considerar que estar dentro da bolha seja uma condição provisória, podendo esta pequena célula de calor se mantenha mesmo sendo o ar da bolha liberado ao sair da água, sendo que passaria de uma condição provisória para outra, até que esta indistinta porção de calor se nivelasse com a temperatura do restante do Ar.

Nesta condição poderíamos considerar que o Ser é tão relativo quanto o Estar, pois embora possamos considerar que aquela consciência deixou de existir, ainda assim, teremos algo que não é o Ar (Mente), não é a água (Personalidade) e não é a Consciência, que constatamos como provisória (Calor), mas que ainda assim é resultado desta trajetória, sendo como uma memória desta existência.
 
 
Curiosamente para a Consciência é plenamente possível a observação, assim como a comparação entre existência e não-existência, sendo que isto absolutamente paradoxal, pois como seria possível para a existência compreender a não-existência e vice-versa?

Neste caso o que quer que sejamos (Consciência) é capaz de contemplar as duas realidades, sendo assim uma terceira via, absolutamente inclassificável, e virtualmente impossível.

Uma maneira de compreender esta Realidade Primordial é se levarmos em consideração a relação entre Existência e Não-Existência, comparando para isso com os rudimentos da Matemática. Neste caso teríamos como Não-Existência, ou seja, o Nada, o Vazio, a representação do número Zero.

Assim, em contrapartida, teríamos o Número 1 como uma representação da Existência, ou seja, uma antítese do Nada, pois se de um lado temos “Coisa Nenhuma”, do outro teremos “Alguma Coisa”.

A interdependência das duas realidades se observa ao considerar que o Zero é a Ausência de “Alguma Coisa”, então teremos um “Vazio”, que será um único “Vazio”, pela impossibilidade de haver mais de um.

No entanto, podemos observar que a “Ausência de Alguma Coisa” não pode ser suprimida. Ou seja, não é possível a ausência do Zero, a não ser que haja ali alguma coisa, o Zero é um só e não mais que um, mas também é inevitavelmente um e não menos que Um. É impossível para o Vazio não existir, não há a possibilidade da não existência da “Não-Existência”.

Muito embora ela seja relativa, pois ela só é compreendida como conceito, uma vez que há uma Existência e se há o número 1, o Zero deixa de existir. Ou seja, a Não-Existência não existe e ela tem que não existir para que a existência por comparação exista. Sendo que somos capazes de conceber, de compreender a existência como existente, por sermos capazes de compreender uma Não-Existência, mesmo sendo impossível para algo Existente não existir.

Neste caso, podemos ver que vislumbramos a possibilidade de uma realidade única, absolutamente impossível, que consistiria em uma antítese à não existência que não seria a existência em si, ou seja, teríamos então uma tríade composta por Existência, Não-Existência e “Nenhuma das Anteriores”. Sendo que estas corresponderiam respectivamente na “Árvore da Vida” às Sephirot Binah, Chockmah e Khether.

Desta forma observamos que a Consciência é algo de Natureza tal que é capaz de contemplar a Existência como estando de fora, sem com isso ser parte da Não-Existência por igualmente ser capaz de observá-la.
 


 

domingo, 19 de julho de 2009

Mestres

 
Grande Fraternidade Branca, Grande Loja Branca ou a Grande Hierarquia Espiritual, quando se fala nisso e se refere a MESTRES, não se está referindo nem a Humanos e nem a Anjos e sim a uma classe de seres que muitos já chamaram de "Super-humanos", ou "Supra-humano", sendo também referidos como "Mestres de Sabedoria", "Mestres Ascencionados", "Mestres de Luz" (Além de outros tantos títulos que não devem NUNCA ser confundidos com títulos humanos de maestria que são simbolicamente atribuídos a humanos), que são criaturas que já ultrapassaram a condição evolutiva Humana, se tornando um outro tipo de criatura tão diferente de nós Humanos quanto nós o somos dos Animais.

Tais criaturas não estarão entre nós, da mesma forma que nós não temos o costume de ficarmos no meio de um bando de macacos comendo pulgas que encontremos em seus pelos. E se por ventura encontrarmos algum desses Seres, este estará fazendo coisas tão incompreensíveis para nós quanto seria para qualquer macaco a presença de um biólogo humano em seu bando.

Quanto a uma "Organização" composta por Mestres, Anjos e Humanos, isto pode ocorrer da mesma forma que existem intercâmbios os mais diversos envolvendo outras categorias de seres.

Imagine um Batalhão de Polícia, onde você poderá encontrar além dos Humanos ali responsáveis pela "Organização" também Cães exercendo funções adequadas às suas habilidades, bem como até mesmo encontraremos a presença de Vegetais, como plantas ornamentais que atendem às necessidades humanas que elas próprias desconhecem.

Assim não encontraremos Cães fazendo o papel de Plantas, nem Humanos fazendo o papel de Cães.

Poderá em algum momento o Presidente de uma Multinacional, do alto de sua Cobertura, sentir que seria importante para sua hidratação que ele tomasse uma Água de Coco.

Não teria o menor sentido que ele descesse até a praia em frente ao prédio subisse em um coqueiro pegasse um coco, abrisse e tomasse sua água. Isto não seria nada prático, além dele ter mais o que fazer.

Neste caso o Presidente pedirá à sua Secretária que mande um Office boy até a Praia para comprar Água de Coco e este Office boy não irá ele mesmo subir no coqueiro, ele se dirige a um vendedor, que possui um macaquinho de estimação e este macaquinho é que sobe no Coqueiro e pega o Coco.

Assim é que funciona uma Hierarquia, cada um cumprindo a parte que lhe cabe cumprir. Aí seria de se perguntar: "Para que o Presidente da Multinacional iria precisar de um Office boy?" ou "Que utilidade teria um Macaquinho para uma Multinacional?".

Da mesma forma se dá a relação que existe entre Mestres, Anjos, Humanos e outros seres envolvidos na "Hierarquia Espiritual".
 

Existe hoje em dia um grande movimento que se utiliza do termo "Grande Fraternidade Branca", possui uma grande lista de nomes aos quais chamam de "Mestres Ascencionados", que escrevem longos textos "Canalizados" por tais figuras.
Sendo que tem se tornado difícil tratar do assunto sem que se seja vinculado a este movimento, que alguns conhecem como sendo "New Age" ou "Nova Era". Enquanto forma de manifestação artística, cultural, tal como processos de desenvolvimento de um princípio de religiosidade e de atos devocionais, sobre os quais, pode-se dizer, que atendem a uma proposta coerente.

No entanto, o que se torna preocupante é o conteúdo implícito nestas mensagens, que metodicamente é exposto em tudo que envolva este movimento, que é uma mensagem contrária ao próprio processo de desenvolvimento do ser humano.

Pois se assumirmos a compreensão de que por haverem seres de uma realidade posterior à nossa devamos estar nos submetendo a eles, estaremos nos contrariando, estaremos contrariando nosso próprio livre arbítrio, consciência e individualidade.

Não nos faz bem algum vivermos como criaturas incapazes de qualquer ação, eternamente aguardando pela intervenção de criaturas pseudamente superiores, que venham nos salvar.

Sendo que os conceitos amplamente divulgados sobre em que consiste esta "Hierarquia Espiritual" são justamente contrários a qualquer tipo de atitude que tais "Mestres" poderiam tomar.

Pois da mesma forma que não assumimos comportamentos animais, assim também eles não assumem comportamentos humanos como os que são descritos popularmente hoje em dia. Organizações são prerrogativas humanas, seres que não sejam mais humanos não precisam mais de organizações, e da mesma forma também não é interesse deles nos "salvar" de nada.

Como um deles já disse:

"Cada um é guia e salvador de si mesmo.”

 
A perspectiva destes Seres Supra-Humanos se apresentarem a nós como iguais, por vezes com aparências Humanas, pode ser comparada a quando biólogos resgatam um filhote de ave e para alimentá-lo utilizam um fantoche que lhe faz sentir-se confortável como estando com seus iguais.
Sendo que nossa condição Humana faz com que seja difícil para nós lidar com um Ser que não tenha uma Aparência definida, ou que não utilize uma linguagem verbal, ou gráfica, ou que não tenha um nome.

Assim temos alguns desses Seres sendo reconhecidos em nosso meio, sendo identificados, muito embora venham a ser uma descoberta para nós, mas não por nossas habilidades investigativas, mas por uma concessão da parte destes Seres em se permitirem o reconhecimento, assumindo uma aparência, sendo que por vezes se apresentam em corpos físicos humanos.

Quando em contatos a nível Astral estes nem sempre utilizam nomes, nem sempre assumem aparência humana, sendo que normalmente não se tornam visíveis, ou são vistos como formas luminosas, e nunca seus contatos com encarnados se dão por incorporação, ou por telepatia, sendo que costumam transmitir intuições e muitas vezes apenas transmitem “sementes mentais”, ou “Imagens-Idéias”, elementos completos sobre um determinado assunto, de modo que somos induzidos a produzir pensamentos a partir da tônica sugerida, sendo algo muito semelhante a uma forma de inspiração criativa.

Sendo assim a nossa relação com eles se torna muito semelhante ao que é experimentado com os Seres Angelicais, ou seja, sem perguntas, sem diálogo, e havendo palavras, estas serão nossas, pois se ocorrer de se pronunciarem o que eles têm a dizer possui significados muito mais amplos e profundos do que a palavra dita poderia nos transmitir.

Para estes Seres não existem as limitações de Tempo e Espaço nas quais nossas Consciências se vêm mergulhadas, sendo que vivem em uma realidade que para nós corresponderia ao Futuro.

Quando algum destes toma contato com um Humano é algo que pode ser comparado a deixarmos de ser cães vira-latas para sermos cães domésticos, com um dono e com todos os confortos e regalias que esta condição possa proporcionar. Mas, da mesma forma que um cão não teria condições de avaliar até que ponto está sendo felizardo em viver tal condição, assim também não alcançamos a amplitude de benefícios que este contato nos proporciona.

Aqueles se apresentam na realidade Física em figuras Humanas têm suas atenções voltadas para as coletividades e normalmente suas ações visam resultados a prazos demasiadamente longos para que façam algum sentido para nós. Jamais buscam reconhecimento por seus feitos, buscando levar os Humanos envolvidos a que estes assumam os prodígios e sejam reconhecidos por isto.

Se por vezes venham a se apresentar como Indivíduos notórios, sempre será com um fim específico que passará muito longe de qualquer possível idéia de exibicionismo, sendo que são chamados de Mestres não por nos ensinarem e sim por termos muito a aprender com eles.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Bruxaria


Esta terminologia não é de cunho técnico, não servindo como critério de avaliação. O termo Bruxaria surge como uma atribuição ao que é feito por uma Bruxa ou Bruxo, sendo que tais denominações tiveram como origem uma definição atribuída justamente por quem ignorasse suas ações. A expressão “Bruxa”, originalmente não possuía um sentido pejorativo, a palavra em si tem um sentido de “Sombrio”, não algo absolutamente escuro, mas algo “mal iluminado”, tendo uma conotação de “misterioso”.

Assim, as pessoas comuns que não compartilhassem de suas práticas, desconheciam suas atividades e diziam que tal pessoa era misteriosa, ou seja, Bruxa. Com o tempo, na Idade Média na Europa, a Igreja Católica por se ver perdendo terreno para Religiões mais tradicionais e antigas, cujos cultos costumassem ser praticados com certa discrição, começaram a associar o que é misterioso ao que é mau. Assim o próprio termo Bruxa se tornou pejorativo.

Dentro do pensamento Católico, como pode ser exemplificado pela obra de Santo Agostinho, temos um sentido de “mal” como sendo a ausência do “bem”, e tal associação sendo feita comparada à relação entre luz e sombra, ou seja, se algo é “bruxo”, ou pouco claro, é que ali falta a luz.

Já tais pessoas às quais tradicionalmente era atribuído o título de Bruxa, eram pessoas que se considerava terem “poderes sobrenaturais”, sendo que quaisquer habilidades que fugissem da média eram vistas como misteriosas e assim não poderiam ser naturais, sendo que na antiguidade era comum recorrer a tais pessoas em busca de prodígios, curas, orientações, pois a crença popular levava a supor que se não sei sobre o que ela sabe, então ela deve saber muitas coisas que eu desconheço. Assim foi se mistificando a imagem das Bruxas.

O termo foi se tornando extremamente abrangente e generalizante, muitos casos diferentes foram rotulados com esta mesma definição, e com o tempo começou-se a associar a “Bruxaria” às práticas de “Feitiçaria”.

Feiticeiro é aquele realiza um “Feitiço”, ou “Feitio”, o termo em si, está ligado ao ato de Fazer, a manufaturação de objetos, produtos, seja com quaisquer fins, sendo que na linguagem técnica o Alfaiate realiza o Feitio de uma roupa, sendo assim poderia se dizer que um Alfaiate seria um Feiticeiro.

No entanto, o uso geral desta expressão foi sendo abolido em prol de um uso específico, em que os “Feitiços” eram associados ao que era feito por “Bruxos”, pois muitos dos que eram atingidos por esta denominação, eram pessoas que se dedicavam à manipulação de utensílios e produtos diversos, tais como a produção de Fitoterápicos, medicamentos, ou mesmo atividades diversas ligadas a ritos e práticas específicas.

Neste caso, podemos ainda hoje estabelecer uma distinção entre os termos Bruxaria e Feitiçaria, como uma forma de desambiguação. Realizar o Feitio de algo, pela manipulação de utensílios e produtos não é privilégio de quem tenha “poderes sobrenaturais”, sendo que se encaixa no contexto da prática de “Feitiçaria”, aquilo que atualmente é conhecido como “Simpatias”, sendo que um “Feiticeiro” é um atributo funcional.

Podemos comparar com a atividade de um Cozinheiro, pois, se eu sei preparar um prato, enquanto eu estiver realizando este procedimento estarei sendo o Cozinheiro, sendo que não preciso ser um Chef profissional para isto. Já o mesmo prato sendo preparado por um profissional poderá ter um resultado final muito diferente de acordo as habilidades que este indivíduo possua, tendo-se aí um algo a mais que não seja conhecido, o que chamariam de “o segredo do Chef”.

No entanto tal Chef de Cozinha poderá não ter nenhuma habilidade excepcional. Podendo ser apenas alguém que faz tal prato com freqüência e qualquer um que não tenha a mesma prática, mas que “leve jeito” para a culinária, mesmo que não exerça profissionalmente, poderá preparar o mesmo prato de maneira mais saborosa.

Assim temos que o que diferencia um Feiticeiro de um Bruxo seria justamente que um Bruxo é um indivíduo que possui um “algo a mais”, que costuma ser classificado como um “dom sobrenatural”. Sendo que não há distinção entre o que é feito por um ou por outro.

Um Feiticeiro poderá ou não ser um Bruxo, ou seja, poderá ou não, ter habilidades especiais, o que o caracteriza é a realização de Feitiços. Já um Bruxo poderá ou não realizar Feitiços, o que o caracteriza são seus “poderes especiais”.


Ambas as definições são fruto da ignorância popular, ou seja, não são termos técnicos de quem realiza tais feitos e sim como aqueles que desconhecem tais procedimentos se referem a eles. E com isso se inclui toda sorte de preconceitos (Conceitos pré-concebidos) que se expressam no sentido pejorativo destes termos.

Os indivíduos aos quais foi atribuída originalmente a definição de “Bruxo”, e os talentos que foram considerados como sendo sobrenaturais, são de vários tipos e para o Ocultista não possuem nada de misteriosos.

De modo geral estes tinham em comum um determinado grau, natural ou desenvolvido de Sensitividade, sendo que esta poderia se manifestar de diversas formas. Assim teríamos indivíduos dotados de Magnetismo, Hipnólogos, pessoas identificadas e afinizadas com forças da natureza, Médiuns e Oráculos, podendo tais indivíduos possuírem uma ou mais destas características, sendo que estes que no passado eram classificados genericamente como “Bruxos”, hoje são genericamente classificados como “Paranormais”.

Outra classe de indivíduos também assim classificados era a de praticantes de determinadas religiões cujas atividades fossem de caráter restrito, mesmo que tais indivíduos não possuíssem quaisquer destas habilidades. Tal associação era feita especialmente se fizesse parte da prática religiosa a manipulação de utensílios e produtos, caracterizando assim a prática de algum tipo de Feitiçaria. Sendo que tais definições sempre foram atribuídas a partir de um ponto de vista “externo”, ou seja, por parte de quem não estivesse envolvido em tais práticas, de modo que estas aos seus olhos pareceriam misteriosas, e freqüentemente consideradas de conteúdo maléfico.

Assim também ocorria de serem taxados como “Bruxos”, indivíduos que apresentassem algum desenvolvimento “Místico”, quer fosse este natural ou conquistado, tais indivíduos se destacavam por demonstrarem habilidades de persuasão, além de habilidades intuitivas, premonitórias, freqüentemente dotadas do dom da Oratória, sendo que também eram classificados como “Profetas”.

Outros que também acabavam recebendo tal classificação eram os estudantes de Ordens Esotéricas, ou Sociedades Secretas, não importando se estes organismos eram voltados ao desenvolvimento de habilidades especiais, ou não. Assim, também se misturou o conceito de “Magia”, com a prática da “Feitiçaria”, justamente pela atribuição leiga do rótulo de “Bruxaria” a tudo aquilo que não entendessem.

Também ocorreu de que por razões políticas, pelo interesse em conquista de território e público, a Igreja Católica começou a lançar mão do fato de que o conceito de Bruxaria já fosse tão abrangente, para inserir na Cultura do povo a idéia de que Filosofias e Religiões diferentes estariam ligadas diretamente às práticas de Feitiçaria e, portanto, seus praticantes seriam classificados como Bruxos.

Como na antiguidade, as Religiões que existiam na Europa se caracterizavam pelo culto a elementos da Natureza, estas passaram a ser classificadas genericamente como Religiões “Pagãs”, sendo que o termo “Pagão” vem da expressão “Paganus”, do Latim, que tem o sentido relativo a aquilo que vem do campo ou camponeses.

Aproveitando-se desta classificação, a Igreja Católica começou a fazer uso desta definição com o fim de distinguir tais práticas Religiosas, atribuindo um sentido pejorativo relativo à Bruxaria. Como argumento justificador, se valeram do Rito do Batismo, que era característico da prática do Catolicismo, para atribuir um novo sentido para o termo Pagão, uma vez que nenhuma destas outras Religiões possuía tal procedimento ritualístico, passou-se a definir que “Pagão” era aquele que não havia sido Batizado.

Modernamente, com o aumento da diversidade cultural e religiosa que foi sendo adquirida após a Renascença na Cultura Ocidental, e com o aumento de Ordens Esotéricas na Europa até o começo do Século XX, foi surgindo um movimento a princípio Cultural, e depois se sedimentando como de caráter Religioso, que teve por objetivo reaver os conhecimentos das antigas Religiões Européias de interação com a Natureza.

Algumas chegaram a sobreviver à perseguição Católica, mas outras, uma vez fragmentadas, tiveram seus elementos remanescentes reunidos formando um corpo único, e tal grupo começou a autodenominar “Paganista”, e como já havia uma ligação entre o termo Pagão e Bruxaria, tais indivíduos passaram a atribuir um novo sentido ao termo, como sendo uma definição específica de suas práticas religiosas, se identificando como sendo Bruxos.

O que podemos considerar para o estudo do Ocultismo, é que os termos Bruxaria e Feitiçaria são abrangentes demais para que se possa definir uma atividade específica, especialmente pelo fato destes termos não terem sido criados com este fim. Pois de certa forma estes termos já foram usados para rotular e estigmatizar as Ciências Ocultas como um todo.

 
 

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O Fim dos Tempos


O nosso conceito comum de tempo é distorcido. Buscamos o tempo onde ele está e lamentamos quando não o encontramos, sem nos apercebermos de que este tempo que procuramos não existe. Trata-se de um conceito, uma convenção, que criamos para organizar nossas ações, uma maneira concatenar a sequência de nossos atos com os ciclos da Natureza.

Para tanto criamos sistemas, métodos, aparelhos para medir a sucessão destes ciclos, apreendendo seus ritmos, suas repetições contínuas e acabamos por chamar a isto de tempo. A partir deste princípio criamos uma nova visão, mais abstrata, subentendida de tempo, como este sendo algo que estivesse sendo medido e não os ciclos Naturais.

Criamos então o conceito de linearidade do tempo e ao invés de entendermos que existam os ciclos Naturais e que estes nos demonstrem algo que pudessemos entender como tempo, passamos a fazer o contrário, partindo do pré-suposto da existência de uma grandeza proporcional ao Espaço, que manteria com este tal vínculo a ponto de que desta relação surgiriam os Ciclos Naturais.

Assim chegamos a extrapolar tais conceitos até alcançarmos a conclusão da existência de um padrão cíclico no próprio Tempo em si. Quando na verdade este é de natureza tão estática quanto o próprio Espaço. Corpos e Formas se movem, dentro de Ciclos Naturais através do Espaço e através do Tempo, mas Espaço e Tempo em si não possuem movimento.

Para os corpos somente existe o Espaço, sendo que o Tempo seria o meio no qual se encontra inserida nossa Consciência. A comparação que estabelecemos entre a nossa condição consciencial de Tempo e a condição Espacial dos Corpos é que nos dá a noção de movimento cíclico a que atribuimos como sendo a ação do Tempo.

Tendo em nós mesmos (Consciência) o ponto de referência para uma suposta linearidade, sendo esta algo absolutamente relativa às Formas e aos Corpos, e com isso nos levando a considerar a possibilidade da Finitude do Tempo.
 
 
A nossa própria percepção pode nos demonstrar uma realidade diferente na relação entre Tempo e Espaço. Se considerarmos que nossos sentidos se encontram na condição de uma projeção de nossa Consciência através do Tempo.
 
O texto que você lê é uma emissão de luz de um monitor, ou ainda o reflexo desta em uma superfície de folha impressa, sendo que quando tal texto chega aos seus Olhos passaram milésimos de segundo, que estabelecem uma "distância" temporal entre sua Conciência o aquilo com o que esta toma contato.
 
O que foi escrito aqui já foi se tornando passado a medida em que fui digitando. Assim também ocorre com o que é dito, sendo que por mais curto que seja o intervalo entre a emissão e a recepção de um som, este ainda fará com que haja uma antecedência do que é dito com relação ao que é ouvido.
 
Assim temos uma relação diferenciada entre Tempo e Espaço quando colocamos em questão o próprio indivíduo, pois com relação à Consciência, tudo aquilo que os Sentidos são capazes de apreender é passado. Não temos sentidos capazes de captar o exato momento presente.
 
Pois mesmo o Tato ou Paladar terão seus sinais captados pelos órgãos e transmitidos para o Cérebro e só a partir deste a informação chegará à Consciência do Indivíduo. O momento Presente então se mostra como algo absolutamente pessoal, pois ele só é vivido pela própria Consciência, pois quando algo que toque nossa consciência vier a ser expressado já será Passado, e quando algo do mundo que nos rodeia vier a tocar nossa Consciência isto já será Passado.
 
Então veremos que o momento Presente não é um ponto de uma linha que exista por si, no qual pudessemos estar ou não. Vemos então que o momento Presente é uma qualidade do próprio Ser, da própria Consciência, do qual esta jamais estará fora.
 
Temos então a Consciência como um ponto de referência Central, tendo à sua volta uma realidade Espacial toda ela sendo em Tempo proporcional ao Passado. Ou seja, o Ser é o Presente e tudo o que o rodeia é Passado.
 
Temos nisto uma referência da noção de tempo segundo o pensamento dos Antigos Incas. Que comparavam o tempo à situação de um homem que estivesse de pé em meio a um rio, voltado para sua Foz, tendo a Nascente atrás de si, sendo que aquilo que a correnteza do rio arrasta se afasta do homem em direção à Foz sendo este o passado e tudo que ele pode ver, estando aquilo que vem da Nascente o Futuro, que está às suas costas, não lhe sendo visível.


Podemos então considerar tal modelo em escala tridimensional, tendo ao redor do Indivíduo o seu Passado a continuamente se afastar dele, estando o Futuro por de trás do Indivíduo em uma condição impossível na realidade Tridimensional.
 
Vemos aqui que há uma relação de identificação muito sólida entre o momento Presente e a Consciência, ou seja, quando nos entendemos existindo, consideramos Ser, Existir, se questionarmos onde a resposta só poderia ser Aqui, e se questionarmos quando a resposta só poderá ser Agora.

Mas se tal constatação for expressada, até que esta chegue à outra Consciência, ou que esta seja captada por nossos sentidos, esta já será Passado, pois o momento acompanha o Indivíduo, assim tudo o que nos rodeia é composto por Passado, sendo este passível de ser percebido, modificado, ou até mesmo previsto, quando constatamos a interação entre os indivíduos (Consciências) e as Formas e Corpos que compõem o Universo ao nosso redor.

Percebemos que o Futuro como realidade ainda não manifestada seria naturalmente imperceptível, não seria possível que se fizesse qualquer tipo de Previsão e a razão pela qual se torna possível fazer previsões quer sejam através de Oráculos, Astrologia ou quais outros meios, o motivo é simplesmente pelo fato de que tais elementos com os quais nossa Consciência poderá vir a tomar contato já existem, compõem o Passado.

Podemos então comparar com a seguinte situação: Temos um antigo Disco de Vinil, com uma agulha do Toca Discos captando as marcas de suas ranhuras, enquanto o Disco gira e Agulha permanece fixa, assim comparando teremos a Agulha como sendo o Ser (Presente), as linhas pelas quais a Agulha passa são parte do Passado (Disco).

Ou seja, o Tempo neste caso é proporcional ao Espaço, sendo que assim como temos um ponto no Espaço ao qual chamamos de Aqui, com o qual comparamos outros para estabelecermos o que é longe e o que é perto, assim também temos um ponto no Tempo chamado Agora, com o qual estabeleceremos os parâmetros para compreender e até mesmo prever a sequência de Fatos, quando e onde nos encontramos com tais ou quais situações, pessoas, momentos, lugares, ou seja, quando tais realidades deixarão a sua inerte condição de Passado para voltarem a tomar contato com uma realidade momentânea de Presente ao tocar nossas Consciências.

No exemplo do Disco, podemos imaginar novamente uma realidade Tridimensional, na qual o disco seria semelhante à um Tornado que arrasta consigo o Indivíduo que suspenso no Ar toma contato sucessivamente com objetos que estejam igualmente suspensos.

Neste caso o Tempo em si não existe se não for por uma comparação com a condição Espacial da Consciência e o modo como esta toma contato com o que a rodeia. Sendo assim não há nenhuma possibilidade de Finitude para o Tempo, nem mesmo para a sucessão de Fatos que possam tomar contato com o nosso momento Presente Pessoal (Consciência).

Poderiamos considerar o Fim dos Tempos como uma realidade que se refira ao Futuro, sendo este sempre hipotético, com o qual não costumamos tomar contato, ou se tomamos não somos capazes de registrar tal experiência. Isto ocorre pelo fato de que o se passa conosco passa a ser considerado como Passado, então não desenvolvemos uma capacidade análoga de ter memória de Eventos Futuros.

Ter contato com o Futuro seria correspondente a "Olhar para o outro lado", se temos nossas Atenções voltadas a tudo que nos rodeia, o "Outro lado" estaria em um "lugar" impossível a não ser que se considere uma realidade que transcenda as Três Dimensões (Largura, Altura e Profundidade).

Isso corresponderia à "Voltar-se para Dentro", o que é tão comentado em nosso meio, "Conhecer a si mesmo", ou seja, temos bem pouco contato com a realidade Presente, quanto mais com a Futura, mas não temos como chegar ao Futuro senão Através do Presente.

Assim reconhecemos um novo sentido à afirmação:
"Ninguém vêm ao Pai senão por mim".

Se voltarmos à visão dos Antigos Incas sobre o Tempo , veremos que aqui há uma referência ao que chamamos de Processo Iniciático, a busca pela "Fonte", pela origem, que paradoxalmente não encontraremos no Passado e sim no Futuro. Tendo a frase bíblica sendo dita por alguém que buscava se auto-intitular "EU", ou "EU SOU", temos aí uma referência ao momento Presente, vivido exclusivamente pela Consciência Individual.

Sendo assim as referências ao "Fim dos Tempos" feitas nos textos do Apocalipse tratam do contato com esta realidade Futura, sendo uma experiência puramente Consciencial, na qual o Indivíduo se abstém do contato com a realidade que o rodeia para tomar contato com o que já foi chamado de "Mundo Interno".

Uma vez que Tempo é uma realidade puramente pessoal, o que é tido como seu "Fim" não será de modo algum um evento coletivo e em um ponto de uma sequência de Fatos a qual muitos acompanhem.

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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Astrologia Esotérica

 
Existem certos conceitos astrológicos utilizados por estudantes das Ciências Ocultas, que não correspondem ao estudo metódico da Astrologia como é entendida atualmente.
 
Alguns destes conceitos os Astrólogos de hoje, que não possuam explicações que os justifiquem, acabam por sumariamente desconsiderá-los, tomando-os por folclóricos.

Mas a questão é que estes conceitos, tendo sido mantidos dentro da Astrologia, denunciam sua origem oculta, que levava em consideração questões que hoje em dia no meio Astrológico não são mais consideradas como fazendo parte da Astrologia em si.

O assunto "Signos Cármicos" é um desses casos. Trata-se de uma informação útil para os usos Ocultos de horários e datas astrológicas.

Existe atualmente o que chamam de Astrologia Cármica, e para esta não existem Signos Cármicos, pois tudo seria Cármico.


Na Origem da Astrologia existia uma enfase ao estudo das Estrelas propriamente ditas, tendo-se nelas pontos de referência para o mapeamento do Céu. Eram utilizados 4 pontos de referência básicos estando equidistantes na circunferência do Céu.

Sendo eles: Fomalhaut (A boca do peixe), Antares (Pássaro flamejante), Aldebaran (O olho esquerdo do Touro) e Regulus (O Coração do Leão).

Sendo estas chamadas de "Os 4 Guardiões dos Céus". Estando respectivamente na antiguidade nos Signos de Aquário, Escorpião, Touro e Leão.

Estes 4 Signos é que foram considerados por Ocultistas Astrólogos da antiguidade os Signos Cármicos, sendo todos eles de natureza Fixa, segundo a classificação Astrológica dos Signos.

Neste caso esta classificação possui uma correspondência com as Gunas Indianas, sendo que a qualidade "Fixa" corresponderia a Tamas, que trata daquilo que na natureza já está consumado.

Muito embora existam personalidades para as quais a questão Cármica é vivida de forma mais consciente sendo eles os Signos de Câncer, Leão e Virgem.

Assim também podemos levar em conta certas observações de estudo menos difundido como dos Cometas. Houveram Astrólogos na Antiguidade que consideravam Cometas o prenúncio de catástrofes, podendo entre elas estarem incluídas epidemias.

E atualmente há também Astrólogos discutindo sobre as possíveis influências físicas destes Corpos Celestes, atuando sobre questões como epidemias, como o que tem sido comentado atualmente do caso da Gripe Suína.

Ao meu ver talvez se possa considerar que haja uma influência pela presença física destes Cometas, mas neste caso acredito que a ação incida nos seres humanos e não nos micro-organismos em si.

A presença física nas proximidades da Terra de tais corpos celestes, pode ser "sentida" inconscientemente por pessoas mais sensíveis, de modo a ter alguma influência na sujeição do indivíduo ao contágio, quer seja por uma exposição involuntária, quer seja por um fragilizar das defesas do biológicas.

Isto poderia ser entendido subjetivamente se considerarmos que para uma "aura" expandida do Planeta, o Cometa seria um intrusão estranha, uma contaminação, sendo assim, reproduzir uma situação identica seria uma reação do inconsciente coletivo bastante aceitável.

Em muitos aspectos as bases primitivas da Astrologia estavam na observação do Céu e na conscientização de uma capacidade subjetiva de se identificar com o que esta ao nosso redor, sendo capazes de ver e sentir os movimentos celestes, bem como possíveis "corpos estranhos".

Observando assim correspondências diretas entre o que se percebia do Céu e a nossa realidade Interior, psíquica, emocional, mental e espiritual.



Assista a Vídeos relacionados ao assunto:




 

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Gripe Suína e Outras Epidemias

 
De tempos em tempos somos assombrados com alguma nova ameça biológica. O que está sendo comentado atualmente é a condição do povo Mexicano, tendo de lidar com esta nova variedade viral que foi chamada de Gripe Suína.

O termo é uma referência a certas semelhanças na genética deste novo vírus que atinge humanos com outro já bem conhecido pela Medicina Veterinária que atinge principalmente Suínos.

A rapidez com que certos organismos se proliferam, cria grandes desafios para a Medicina, que busca encontrar soluções antes que o estrago seja grande demais. Cabem aí esforços sociais de governos que nem sempre estão preparados para tais situações e acabam tendo de se preparar emergencialmente.

Epidemias, mais do que problemas de saúde, são problemas que afetam as coletividades, as sociedades, o modo de vida das pessoas, levando povos a reavaliar seus hábitos. Se fala muito no Sobrenatural, enquanto que aquilo que é Natural ainda nos assombra. Nos traz questionamentos e muitas perguntas ficam sem respostas, muito embora a mais comum seja: Por quê?

Natureza nem sempre tem motivos que nos agradem, nem sempre as razões naturais são razoáveis, nem mesmo correspondam aquilo que possamos considerar como sendo lógico, ou racional. As Ciências Convencionais buscam respostas nos efeitos, chamando a uns de efeitos e a outros de causas.


Mas nem sempre encontramos respostas nas reações biológicas, químicas ou genéticas, pois a Natureza é mais ampla que estas realidades.

Quanto à saúde, podemos observar que se nos mantemos em estados psicológicos alterados, vivendo emoções como tristeza, raiva, ansiedade, etc. Acabamos por adoecer, tendo nosso sistema imunológico enfraquecido, por nossa própria mente.
Sendo assim, as doenças começam em nossas mentes antes de se manifestarem fisicamente, mesmo aquelas que sejam adquiridas pela ação de outros seres, como os Vírus e Bactérias, pois nós deixamos "as portas abertas".

No entanto, também não podemos considerar que tais condições não sejam naturais, pois não existe erro na natureza, existe sim uma complexa relação entre criaturas as mais diversas, convivendo entre si, ao que chamam de Ecosistema, sendo que esta é uma realidade muitíssimo mais abrangente do que se costuma considerar, pois inclui a nossa relação com os seres microscópicos.

Vemos que essa relação acaba sempre tem algum nível de impacto nas relações sociais humanas, sendo que refletem padrões de pensamento e de comportamento que determinados grupos tenham em comum. Por vezes nos levando a assumir estilos de vida menos mecânicos, menos automáticos, revendo os próprios hábitos, pois a cristalização do comportamento sim é uma postura anti-natural do ser Humano.


Isto pode ser observado se considerarmos que uma vez que padrões mentais possam nos expor e nos predispor a problemas de Saúde, se torna importante que analisemos o que produz estes padrões anormais de pensamento, ou seja, o que leva alguém a se sentir permanentemente tenso, ou triste, ou ansioso? Sempre por trás encontraremos questões relativas a maneira como aquele indivíduo se relaciona com os demais.

Em muitos aspectos a maioria dos governos do mundo tomam cuidados para que situações como estas não criem pânico, sendo algo absolutamente necessário não apenas pelas razões práticas pelas quais tais medidas são tomadas, mas inclusive como uma medida preventiva de manter algum controle das pessoas sobre seu próprio estado de ânimo, pois justamente os extremismos emocionais é que acabam nos predispondo à contaminação.

Epidemias são já uma manifestação física de uma condição anormal nas relações entre os seres na própria Natureza. Trata-se de um processo Natural, como uma reação da Natureza ao nosso estilo de vida, não como uma punição, mas sim pela própria lei da afinidade, em que semelhante atrai semelhante, a nível invisível passa a haver uma identificação entre o indivíduo e o micro-organismo que vem ao seu encontro.
 


 

domingo, 26 de abril de 2009

Astronomia x Astrologia

 
São duas Ciências que possuem um objeto de estudos em comum, ou seja, o Céu. A contemplação do Céu, ao julgar por um padrão de comportamento que estes dois estudiosos, o Astrônomo e o Astrólogo, têm em comum, faz com que desperte no indivíduo um certo fascínio, que o leva a se identificar com a grandeza do Cosmos que nos rodeia. Isto em alguns aspectos provoca um padrão emocional de quem se vê "apaixonado" pelo seu estudo.

Este sentimento passional existe e se torna muito evidente quando o indivíduo se exalta em discussões acaloradas em defesa de seu conhecimento, pois possuir tais conhecimentos sempre são sentidos como algo do que se orgulhar, como um contato com a "Verdade", sendo que somos levados a defender esta verdade à todos custo.

A questão é que em muitos aspectos se formou um abismo entre as duas Ciências. Uma vez que em sua origem estas tinham bastante em comum, nasceram no mesmo berço, tanto que os primeiros Astrônomos eram também Astrólogos. A fronteira das Ciências Convencionais e as Ciências Ocultas já foi bem mais tênue, mas no que se refere a estas duas especialidades especificamente, graças ao sentido passional que tais estudos desenvolvem, foi se criando um distanciamento maior.

Existem certas intransigências naturais a uma postura passional de ambos os lados, como torcedores de times rivais, quando se trata de defender seu conhecimento. Acaba ocorrendo de perderem o bom senso e a coerência que demonstram ao abordar outros temas.

A contemplação do Céu ativa em nós uma identificação com o Todo e com sua condição Única, sendo que muito facilmente nos vêm à mente o Conceito de Verdade Única. Assim qualquer coisa que não seja precisamente o que nós entendamos como Verdade, passará a ser visto como uma aberração que nos deixa ávidos por nos livrar. A negação veemente é o impulso básico inicial e se não houver um pouco mais de domínio próprio ficamos sujeitos sermos radicalmente parciais em nosso julgamento.

Um conhecimento não contradiz o outro, nem mesmo tem em si a pretensão de suplantar ou substituir o outro, isto em linhas gerais é o que existe de fatos quanto aos objetivos de cada estudo, mas as visões particulares é que costumam ser bem menos razoáveis.

Notamos uma maior coerência, quando os Estudiosos são já mais experientes e confiantes de seus conhecimentos, sendo que nestes casos a abordagem é bem mais diplomática e mediadora. Mas para aqueles que não estão tão profundamente envolvidos com estes estudos, que apenas os admiram, estes costumam ser mais impulsivos. Tal situação é a mesma que se observa quando comparamos jogadores de times rivais e torcedores de times rivais, sendo os primeiros bem menos impulsivos que os últimos.

Os simpatizantes das Ciências Convencionais acabam adquirindo em muitos casos um repulsa às Ciências Ocultas, sendo que curiosamente muitos estudantes das Ciências Ocultas acabam criando uma relação de amor e ódio pelas Ciências Convencionais, ora tentando atribuir conceitos convencionais aos Conhecimentos Ocultos, ora buscando reinvindicar que conhecimentos Ocultos sejam aceitos pelo Senso Comum das Ciências Convencionais.

Boa parte do que cria estas posturas tão intensas, quer me parecer que sejam justamente os objetos de estudo, sendo que o Céu é justamente um campo de contemplação que desperta em nós as nossas tendências naturais a defender convicções.

O ato de contemplar o Céu acaba sempre nos trazendo memórias profundas de tempos perdidos...

Pode não se ter qualquer sensação no momento exato, mas existem efeitos residuais que nos lembram de todas as incontáveis vezes que em diversas vidas já fizemos o mesmo gesto.

Isto também nos traz uma experiência quase instintiva, como algo que alimenta o nosso orgulho de ser humanos, de sermos tudo que somos, por nos sentirmos capazes de nos identificar com a grandiosidade do Todo e com a perene representação da Verdade que Céu nos traz, o que nos torna veementes defensores de nossas convicções, sendo elas quais forem.