quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Warren




Ceticismo. É algo sempre presente para todo estudante sério das Ciências Ocultas. Não bastando todo o Ceticismo necessário aos nossos estudos e práticas, todo o questionamento ao qual nos submetemos em busca de obtermos o mais alto grau de credibilidade em tudo que nós realizamos, constantemente nós somos postos a prova e contestados pelos questionamentos daqueles que desconhecem nossos métodos e a própria natureza das forças e mistérios com os quais lidamos.



Nem sempre encontramos quem do nosso meio se torne celebre para o grande público e quando isso ocorre os ataques e questionamentos lhes chegam dos mais diversos setores da sociedade, desde os céticos de linhas de pensamento mais focadas nas Ciências Convencionais, até mesmo de Religiosos que se apegam a seus códigos e doutrinas não dando margem a uma visão mais ampla da realidade que os cerca.



Mas um caso curioso foi o do Casal Warren, Edward e Lorraine Warren que ficaram conhecidos como investigadores paranormais. Eles se tornaram muito populares por sua exposição à mídia e foram incorporados à cultura popular por meio de publicações de suas histórias e experiências dando origem a filmes e documentários. Sem dúvida seu papel na divulgação do fenômeno Paranormal e dos mistérios do Oculto foi de grande valia para nosso meio, nos trazendo desde novos interessados no estudo dos Mistérios Espirituais, até contribuírem com casos mais bem documentados de fenômenos psíquicos nos servindo de material de estudo relevante, nos levando inclusive a questionamentos e nos instigando à pesquisa.



A abordagem desses temas em geral leva a debates acalorados e dicotomias muito rígidas que não elucidam nem explicam os fenômenos e acontecimentos. Limitando assim o entendimento e levando a visões mais extremistas que buscam desacreditar ou contra argumentar e em ambos os casos apoiados em bases emotivas que levam a vereditos inconclusivos.



Procuro aqui não enveredar por essa linha de debate, mas sim analisar os dois lados, dos que vivenciam a experiência Paranormal e os que questionam sua veracidade. Buscando nos conhecimentos Ocultos explicações para esse choque do encontro entre as realidades, objetiva material e subjetiva dos mundos supra física.



Existe uma tendência natural daqueles que vivenciam experiências psíquicas em aumentá-las, em especial quanto a suas manifestações físicas, com o simples propósito de tentar de alguma forma compartilhar sua vivência de modo que seja entendida em toda a sua amplitude por outros. Esses excessos são geralmente aquilo que torna suas histórias tão interessantes para aqueles que as ouvem e são assim cada vez aumentadas mais a cada vez que os relatos são retransmitidos.



Isto se torna uma arma na mão daqueles que buscam desacreditar as ocorrências, que irão deixar de analisar o ocorrido para atacar os excessos como se tudo não passasse de manipulação, acusando aqueles que a protagonizam de má fé. Considerando a tudo como fraude, como se isto por si só explicasse a tudo que acontece.




Esse tipo de abordagem dos Céticos leva a que indivíduos que vivenciam situações atípicas, de fenômenos sobrenaturais e paranormais acabem por não relata-los por temerem serem desacreditados. Esta situação é frequentemente mostrada em livros e filmes que tratam do tema. E é este tipo de situação que procuro aqui evitar.





Primeiramente vejamos o ponto de vista daqueles que passam por uma experiência inexplicável. Sendo o indivíduo alguém de fora de nosso meio, que desconhece a Natureza dos Planos Sutis, acaba por se sentir aflito e apenas preocupado em encontrar alguma forma de solução para seu problema. Ao buscar por auxílio, natural e acertadamente se irá procurar por explicações mais simples, objetivas e materiais para o ocorrido, se valendo de seu próprio ceticismo. Procurando assim por explicações materiais e objetivas.



No Campo das Ciências Convencionais teremos então os Psicólogos, Psiquiatras e até chegar à área de atuação dos Parapsicólogos que muitas vezes não chegam a de fato encontrar uma solução ou explicação para o ocorrido. Observando que aqui neste caso não estou me referindo aos casos nos quais se encontre uma explicação simples, material e objetiva. Mas sim àqueles casos dos quais tratam esses relatos que se tornam muito conhecidos por serem vistos justamente como Mistérios Inexplicáveis.



As Manifestações Físicas de Fenômenos Psíquicos são casos extremos e de grande impacto psicológico para quem as vivencia. É natural que o indivíduo venha a buscar por ajuda e esta nem sempre é obtida, pois quando se faz um relato de tais acontecimentos as primeiras medidas tomadas por aqueles a quem se solicita serão voltadas a atender interesses próprios, deixando de lado as necessidades de quem lhes pediu ajuda.



Há casos nos quais o “profissional” a quem se recorre estará mais interessado em buscar provas que corroborem seus próprios conceitos pré-concebidos, quer seja a ideia de que todo fenômeno obrigatoriamente terá uma explicação física, material e então se trataria de um engano da parte da pessoa ou uma mera fraude, quer seja o conceito contrário, de procurar comprovações físicas, materiais que “comprovassem” a ocorrência dos fenômenos psíquicos.



Ambos os casos, de Céticos e Entusiastas caem nesse senso comum de que a Realidade Material seria o elemento principal a ser considerado. Imaginemos a situação de quem vivencia Fenômenos Físicos mais extremos como Telecinese, Pirocinese, Pirogênese, ou mesmo aparições, ruídos, ou ainda coisas mais sutis como a sensação de presenças estranhas.



Alguém que vivencie tais ocorrências estará buscando antes de qualquer coisa uma explicação e uma solução. E ao buscar ajuda a alguém em quem deposita sua confiança, este lhe traz logo de imediato, questionamentos sobre a honestidade do indivíduo, tentando em primeiro lugar comprovar se este não estaria forjando o acontecido como uma forma de autopromoção.



Sim, existem charlatões em nosso meio, mas geralmente se apresentam como conhecedores dos processos Ocultos bem como se apresentam como autores de Fenômenos Paranormais. Seria de se levar em consideração as motivações que alguém sem um histórico de fraudes ou manipulações dessa natureza, sem qualquer envolvimento com esse tipo de atividade, teria para promover tal tipo de “espetáculo”. Autopromoção em que? O que estaria sendo promovido, que imagem estaria sendo vendida? Quem benefícios obteria de tal exposição?







Já havendo honestidade da parte da “vítima”, ao menos até que se comprovasse o contrário, não haveria problemas em se descartar possibilidades. Ou seja, não sendo algo que se comprove totalmente como não tendo sido realizado por manipulação ou causas físicas explicadas, descartando-se problemas psicológicos que viessem a colocar em dúvida a palavra do indivíduo e seus relatos, então se haveria de ter a honestidade intelectual de admitir que tal acontecimento simplesmente não possa ser explicado pelos seus conhecimentos dentro de sua área, quer seja, psicológica, psiquiátrica ou mesmo parapsicológica.



É uma premissa das Ciências Convencionais a dúvida, ou seja, descartando o que se conhece admitisse a ignorância sobre o assunto. Aí chegamos ao Campo de atuação das Ciências Ocultas. Mas o problema é que geralmente existe uma tendência a tentar desacreditar o próprio Ocultismo e cada evento desta natureza é visto como uma oportunidade de se fazer este ataque.



Nesse cenário tão complicado a “vítima” de tais Fenômenos inexplicáveis fica sem opções a quem recorrer. Geralmente acaba recorrendo a Religiosos, mas como cada Religião tem seu campo específico de atuação também estes muitas vezes não têm aquilo que o indivíduo precisa e busca naquele momento, que seria explicação e solução para a situação vivida.



Vendo-se os relatos de casos tratados pelo Casal Warren, casos esses que se tornaram muito conhecidos, como os ocorridos em Amityville nos EUA e em Enfield na Inglaterra, sobre os quais foram inclusive feitos filmes, vemos situações nas quais as “vítimas” recorreram inicialmente à Igreja Católica, cujo campo de atuação permite oferecer soluções em alguns casos de possessão demoníaca, mas nem sempre em casos de manifestações Mediúnicas.



Em outras situações vemos quem recorra a Médiuns Espíritas, sendo que em muitos casos seu campo de atuação não lhes permite oferecer soluções mais efetivas em situações de possessão demoníaca. Quando não, acaba-se recorrendo a Parapsicólogos, que no caso estarão mais interessados em fazer testes em busca de explicações Físicas para os Fenômenos, sendo uma Ciência “jovem” por assim dizer, que ainda se dedica muito mais a pesquisas para obter suas próprias respostas, nem sempre tendo respostas ou explicações a oferecer à “vítima”.



O foco no fator Material é um equívoco no qual incorrem mesmo estudiosos de nosso meio. Por vezes um fenômeno físico produzido “voluntariamente” pela pessoa, por meios físicos comprováveis, com a alegação de ignorância de ter praticado tal ato por parte da “vítima”, não implica obrigatoriamente numa mentira, numa fraude, ainda que se constate não haverem fatores psicológicos que justificassem a inconsciência do ato. Podendo, na maioria dos casos, tratar-se claramente de um Fenômeno Mediúnico pelo qual o indivíduo é induzido a realizar tal ato, de forma inconsciente.



A multidisciplinaridade do Casal Warren permitiu a eles uma visão mais ampla das ocorrências lhes permitindo dar apoio e alívio às “vítimas” apresentando explicações e soluções em boa parte dos casos. Sendo que essa visão mais ampla costuma faltar à maioria dos pesquisadores do Oculto, que acabam se restringindo às suas especialidades de acordo com sua linha de atuação. Quando na verdade as Ciências Ocultas em seu conjunto apresentam diversos meios de oferecer explicações e soluções.






Agora vendo pelo ponto de vista de quem se propõe a ajudar quem passa por situações como estas. É preciso igualmente determinar até onde se estende o nosso campo de atuação. Pois no campo material já temos as Ciências Convencionais a oferecer respostas, cabendo a nós tratar daquilo para o que eles não possuem explicação. E nossas explicações devem ser pautadas em nossos conhecimentos e não nos deles. Ou seja, não estaremos tratando de cérebros e seu funcionamento, mas sim da mente, da consciência, da percepção subjetiva e do modo como essa subjetividade se manifesta.



Às vezes quer me parecer que o Ocultista em geral acaba se deixando influenciar pelo senso comum, pelo imaginário popular, pelo pensamento dos profissionais das Ciências Convencionais e seus métodos, pelos dogmas, doutrinas e preceitos morais e filosóficos de cada Religião à qual se esteja ligado. Com isso acabamos nos sujeitando a juízos de valores alheios aos nossos conhecimentos. Como se um médico devesse levar em consideração o parecer de um engenheiro civil para tomar uma decisão quanto a um diagnóstico.



Não há dúvidas de que Fenômenos Físicos são impressionantes, mesmo para quem já tenha alguma vivência no campo do Oculto, ainda assim se algum Fenômeno nos é relatado, o fato dele ter de fato ocorrido a nível físico ou não, não é fator determinante para se considera-lo como tendo sido real, nem para se atribuir ao indivíduo uma suspeita de fraude. Pois em nossa vivência espiritual, nós mesmos passamos por experiências inexplicáveis, intensas, marcantes, que por vezes chegam a marcar mudanças profundas em nossas vidas, mesmo sem que tenha ocorrido absolutamente nada a nível Físico. E nem por isso foram menos reais ou verdadeiras.



Em geral a ocorrência de efeitos físicos seria a última consequência de um processo longo que esteve se passando a níveis mais sutis sem que se tivesse dado a devida atenção. Situações nas quais se observa com bastante antecedência sinais de Manifestações Mediúnicas da parte dos envolvidos. Processos Psíquicos profundos que por vezes passam despercebidos pela análise de Psicólogos e Psiquiatras, que acabam ficando encobertos por síndromes e problemas psicológicos já conhecidos e abafados pelo uso de Drogas Psicoativas.



Por vezes o consumo de Álcool e outras substâncias por parte dos envolvidos ao contrário de invalidar a ocorrência, ou a confiabilidade dos relatos, são por si só sintomas de todo um processo que se passa nas sombras, fora das vistas daqueles que analisam apenas ou em primeiro lugar os aspectos físicos da questão.



Os Fenômenos Físicos embora sejam o que há de mais chamativo, ainda assim não são o fator principal nem as raízes de tais Processos pode ser encontrada a nível físico. Sendo estes muito raros e bem menos sensacionais do que se mostra nos filmes, mas por menores que sejam, são impactantes e perturbadores para quem os vivencia e sem dúvida o mais importante nesses casos é dar alguma atenção à pessoa em si, sem nos importarmos tanto em procurar provas materiais para os Fenômenos Espirituais, pois não será assim que conseguiremos o aval das Ciências Convencionais. E muito especialmente devemos nos questionar porque deveríamos buscar por esse aval. Seria como se um poeta romancista precisasse ser reconhecido pelo Conselho Nacional de Odontologia para legitimar e dar credibilidade a sua obra e seu trabalho literário.





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